The new Newsweek

Em editorial postado no site da Newsweek no final de semana, o editor Jon Meacham explica porque uma das revistas semanais mais importantes dos EUA pretende reduzir a circulação pela metade. Obviamente um dos principais motivos é o avanço brutal do uso da internet como fonte de informação, e não apenas em sites de revistas, jornais, rádios e tevês do mainstream da comunicação, mas principalmente em redes sociais e blogs, prova disso é que a revista apresenta novidades na cobertura do site.

Começa assim o editorial, de livre tradução desta jornalista,: “Não é nenhum segredo que o negócio de jornais enfrenta problemas. Instituições americanas que já foram muito lucrativas buscam maneiras de financiar suas operações. O presidente Barack Obama citou Thomas Jefferson no jantar anual com correspondentes da Casa Branca para reafirmar a importância da imprensa para governar um país, que dizia ‘preferir jornais sem governo a governo sem jornais’.

Queremos que o seu investimento valha a pena. Por isso, a edição que chega às bancas esta semana é a primeira de uma Newsweek reinventada e repensada, que representa o nosso esforço em fazer reportagens originais e provocantes (sem ser apartidárias). Sabemos que você sabe o que a notícia representa, e não pretendemos ser um guia no caos da Era da Informação. Podemos oferecer o benefício de um trabalho jornalístico cuidadoso com fatos novos, incitando pensamentos inesperados.

A internet cumpre bem o papel dos jornais, publicando instantaneamente manchetes, opiniões e análises. Isso fez muitos jornais mudar o formato de produção, com textos mais analíticos e longos, como as revistas semanais, mas eles têm de fazer isso diariamente e há que juntar muita sabedoria em poucas horas. Percebemos que o papel da Newsweek é satisfazê-lo intelectualmente e visualmente em uma rica experiência provocada pelas publicações mensais, mas em apenas uma semana.
Nesse sentido, a revista oferecerá, na maioria das vezes, dois tipois de histórias: a primeira é a reportagem, original e factual, a segunda são artigos fundamentados sobre temas de atualidade. O que essas categorias irão substituir? A principal é a notícia referencial, objetiva, direta, que nos remete ao passado e que obviamente já sabemos. Se iremos cobrir breaking news? Claro, mas com um rigoroso padrão na mente: Iremos, realmente, oferecer mais? Quando a violência irrompe no Oriente Médio, temos algo original sobre isso? Nossos fotógrafos e designers têm material excepcional? Se a resposta for sim, então estamos no negócio.”
meu comentário: jornalistas de web somos sempre massacrados, sem piedade, por colegas das mídias tradicionais. Somos quase sempre vistos como profissionais sem conteúdo e fundamentação, mas a história tem provado (ao longo dos últimos 15 anos) que o o jornalismo praticado em rede veio para ficar e, vou além, para reconfigurar o conceito de notícia nas mídias tradicionais, como mostra o texto de Jon Meacham. Não faltam exemplos disso, e o estrondoso uso de redes sociais, que em alguns casos ultrapassa a audiência dos jornalões, reflete essa mudança. Não há saída. Ou os tradicionalistas aceitam a novidade e aprendem a usar as ferramentas ou verão o tempo passar das janelas das redações analógicas.
A pensar,
LM
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