Resposta à Carta Aberta de Maria Sampaio, Célia Aguiar, Aristides Alves e Adenor Gondim

Caros ex-companheiros, Me causou espanto e estranheza receber esse e-mail. Por uma série de razões, mas a principal delas diz respeito à ética profissional:
1) sobre usar o nome FOTOBAHIA

2) sobre “largar” Almir Bindilatti e lançar o http://www.photobahia.com.br/
Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que trata-se de uma questão semântica, ainda que a sonoridade seja a mesma. Como vocês bem devem saber, a formação de palavras implica em morfologia. Se levar em conta a origem de FOTOBAHIA, compreenderão que Bahia é o morfema formador da composição justaposta FOTOBAHIA (foto+Bahia).

Sendo assim, photobahia é formado pela composição justaposta photo + Bahia e o livro Photo Bahia não é um nome composto, mas separado. E em nada tem a ver com o FOTOBAHIA reivindicado pelo grupo que vocês afirmam ter autoridade no uso pelo grau de participação e atividades, mesmo sem ter registrado a marca ou aberto empresa.

Isso significa que ainda é possível ir à Juceb ou a qualquer órgão de marcas e patentes para registrar o saudoso nome. Reitero: minha marca chama-se http://www.photobahia.com.br/. Está registrada devidamente com essa grafia. Não há em meus documentos menção à FOTOBAHIA.

Sobre “largar” Almir Bindilatti, percebo que há um equivoco na avaliação sobre nossas relações profissionais e pessoais. Almir me convidou gentilmente para integrar o projeto Photo Bahia, editado pela Versal e publicado em 2007. O trabalho é um belo registro fotográfico do Estado. E, ao contrário das insinuações maldosas, Bindilatti conheceu o projeto http://www.photobahia.com.br/ e em momento algum se opôs a ele.

Esclarecidas as dúvidas sobre ética e semântica, parto agora para a questão moral, que me parece, pelo tom da Carta Aberta, o que mais incomodou o antigo grupo FOTOBAHIA, do qual fiz parte, mas sem o devido reconhecimento dos comandantes, intitulados “historiadores da fotografia da Bahia”.

O texto qualifica minha participação de “vapt vupt” ou da turma dos “sem presença continuada ou qualitativa”. Confesso não ter entendido o que vocês classificam de presença qualitativa.

Dentre as dezenas de fotógrafos que participaram do FOTOBAHIA 78 (a primeira exposição), uma foto de minha autoria ilustrou o cartaz do evento. E pior: sem crédito, uma bandeira de luta dos fotógrafos brasileiros naquele momento e tema de discussões no Seminário que acontecia em paralelo às exposições do FOTOBAHIA. Atitude comprometedora para um grupo que vem a público questionar valores morais e éticos.
De que se trata, Aristides Alves? Esquecimento? Sobrecarga? Ou o fotógrafo “vapt vupt” não merecia ter seu trabalho creditado?

Essas questões intrigantes me levaram a outras duas de importância igual. Por que não fui impedido de participar das exposições já que minhas ações eram consideradas ínfimas? E mais: Por que fotos importantes da minha trajetória profissional estampam a edição de “A fotografia na Bahia” (Asa Foto, 2006)? Vale lembrar que fui convidado a participar do livro por Aristides Alves, mesmo depois de ter sido considerado pelo grupo que : “Luciano Andrade não é mais um fotógrafo da Bahia por residir em Brasília”.

Estou errado, Célia Aguiar?

Se não pude ser um freqüentador assíduo, “uma presença continuada”, foi porque o árduo trabalho na revista Veja, da Editora Abril, me impediu. Não é novidade para ninguém a importância da Veja nos anos 1970 e 1980. Minhas fotos eram vistas por mais de um milhão de assinantes em todo o país. Ao todo, quatro milhões de brasileiros liam a revista semanal naquela época.

Portanto, não é verdade que participei das exposições para obter “status e registro no catálogo”. Na Veja, tive a oportunidade de conviver e aprender com profissionais de primeira linha, como Elio Gaspari, Ricardo Noblat, Bob Fernandes e Pedro Martinelli, entre outros. Jornalistas que ajudaram a contar a história política do Brasil e até hoje ocupam espaço de destaque na imprensa nacional.

Para os que não sabem, nos quatro anos que trabalhei na sucursal da revista, ganhei um dos mais importantes prêmios do jornalismo: o Prêmio Abril de Jornalismo, outro prêmio no ano seguinte com a equipe Veja e finalista em mais dois. Carrego em meu currículo ainda o Esso (Jornal do Brasil), ainda hoje, o mais importante do Fotojornalismo, e um honroso terceiro lugar do Prêmio Internacional da Nikon. Meu trabalho foi selecionado entre trinta e quatro mil fotos analógicas de cinqüenta e dois países.

Afirmar que eu participava das exposições do FOTOBAHIA em troca de “status e registro no catálogo” é um pouco demais, não acham? Menos, ex-companheiros, menos, por favor.

Por essa razão, considero dispensável usar termos deselegantes para desqualificar um profissional com mais de 30 anos de profissão e, de novo, atribuir adjetivos não verdadeiros como “presença pouco qualitativa” ou “vapt vupt”.

Ao lançar na rede um projeto planejado há bastante tempo, me enganei ao ter criado uma composição justaposta que pudesse remeter a grupo que imaginei ter contribuído para ser lembrado até hoje como exemplo de bom uso da fotografia baiana. E no qual meu trabalho nunca deixou de fazer parte.

Prova disso é a seleção do material para “A fotografia na Bahia”, organizado por Aristides Alves, a foto histórica em que Ulysses Guimarães enfrenta a repressão militar na comemoração do Dia da Abolição da Escravatura, em 13 de maio de 1978, é um dos destaques. Essa e outras milhares de imagens integram o http://www.photobahia.com.br/.
O photobahia não é um portal, ao contrário do que vocês afirmaram, mas uma agência de fotografias. E tem objetivos comerciais, obviamente.

Justamente por carregar a marca da ética em minha trajetória profissional, optei por trabalhar a semântica de um modo que pudesse remeter à Bahia sem manchar a história de tão significativo grupo. É lamentável perceber tamanho desengano e falta de informação de pessoas que considerava mais do que historiadores, intelectuais de alto nível.

Luciano Andrade,
São Paulo, 11 de setembro de 2009
http://www.photobahia.com.br/
@photobahia
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